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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Eduardo Galeano encanta plateia na inauguração da 5.ª Fliporto.




Artigo de Ubiratan Brasil do estado de São Paulo, sobre a participação de Eduardo Galeano na abertura da V Fliporto.


Eduardo Galeano encanta plateia na inauguração da 5.ª Fliporto.

No encontro pernambucano, escritor uruguaio destacou seu novo livro, Espelhos
Ubiratan Brasil
As palavras do escritor uruguaio Eduardo Galeano surpreendem. Afinal, ele pode tanto usá-las para transmitir a mais pura poesia ("O travesseiro é como uma máquina capaz de ler sonhos") como para causar polêmicas ("O presidente venezuelano Hugo Chávez é bombardeado por suas virtudes"). Seu discurso enlevou uma plateia embevecida na noite de quinta-feira, quando ele fez a palestra inicial da 5ª edição da Fliporto, a Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, belíssima praia de Pernambuco.



Na primeira parte da conversa, predominou a poesia - foi quando Galeano, que fala em português quase sem nenhum sotaque, leu trechos aleatórios de seu mais recente livro Espelhos (L&PM, tradução de Eric Nepomuceno, 376 páginas, R$ 42), em que analisa a história da humanidade do ponto de vista dos desvalidos, dos esquecidos da história oficial. "Para mim, o universo só pode ser visto a partir do buraco da fechadura", explicou.

Foram palavras de protesto, em que pregou contra o racismo ("Somos todos africanos emigrados"), o Muro de Berlim ("Por que há muros tão muros?"), o risco de vida ("A necessidade de segurança é a ditadura que hoje reina no mundo"), os conflitos bélicos ("Guerras têm cheiro de podridão, que é pegajosa pois entra em todos os nossos poros e não desaparece jamais").

Com isso, conquistou uma plateia de mais de cem pessoas reunidas no Centro de Convenções, confirmando que, aos 69 anos, Galeano mantém-se como uma das mais destacadas figuras da cultura latino-americana, construindo uma obra ortodoxa, que combina ficção, jornalismo, análise política e história.

Embora autor de mais de 30 livros, tem As Veias Abertas da América Latina (1971) seu clássico absoluto, que o tornou figura conhecida mundialmente por reescrever a história do continente latino e expor cinco séculos de exploração econômica e miséria social.

O livro, aliás, tornou-se um fardo em sua carreira. "Sei que é uma obra que ajudou a mudar a consciência de muita gente, mas fiquei prisioneiro desse livro, que se tornou maior que mim mesmo."

Nesse momento, Galeano já falava durante a segunda parte de sua apresentação, a dedicada ao debate com o público. Embora reclamasse de cansaço por conta da longa viagem, o escritor consumiu vários minutos para elogiar as intenções do Movimento dos Sem Terra. "O trabalho é pouco valorizado no mundo atual, por isso que entendo a luta do MST, movimento que deveria receber medalhas e não condenações", afirmou.

O assunto enveredou para a política e Galeano revelou sua ojeriza pela palavra "líder", pois implica um comandante e vários comandados. "É um termo que deveria ser excluído do dicionário. A única exceção em seu uso é quando se refere a Hugo Chávez."

Para Galeano, o presidente venezuelano é um político generoso, pois defende os recursos naturais de seu país (leia-se petróleo), quando normalmente o oposto é que acontece. Curiosamente, Chávez entregou um exemplar de As Veias Abertas... ao presidente americano Barack Obama, em abril, em Trinidad e Tobago, durante uma reunião de cúpula. "Ele foi generoso ao fazer isso", comentou o uruguaio, encerrando o debate e botando um ponto final em suas sempre deslumbrantes palavras.


O repórter viajou a convite da organização da Fliporto

Espelhos.







Um dos pontos altos da V Fliporto, aconteceu logo na abertura, quando o escritor uruguaio Eduardo Galeano, apresentou seu mais recente livro: Espelhos.


Mundialmente conhecido por haver escrito "As veias abertas da America Latina", livro que no Brasil já alcançou a sua quinquagésima quarta edição, Galeano depois deste é autor de outros trinta.


Sobre o mais recente, você poderá inteirar-se a seguir, nas palavras do próprio escritor.


O texto foi postado no blog do jornalista Tom Wolff:






ESPELHOS - Eduardo Galeano

"Artigo de Eduardo Galeano, onde o grande escritor uruguaio dá uma pequena mostra do seu novo livro Espejos - a ser publicado em breve."







O paradoxo andante 





Cada dia, ao ler os diários, assisto a uma aula de história. Os diários ensinam-me pelo que dizem e pelo que calam. A história é um paradoxo andante. A contradição move-lhe as pernas. Talvez por isso os seus silêncios dizem mais que suas palavras e muitas vezes as suas palavras revelam, mentindo, a verdade.

Dentro em breve será publicado um livro meu chamado Espejos. É algo assim como um história universal, e desculpem o atrevimento.

"Posso resistir a tudo, menos à tentação", dizia Oscar Wilde, e confesso que sucumbi à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo do ponto de vista dos que não saíram na foto. Pode-se dizer que não se trata de fatos muito conhecidos. Aqui resumo alguns, apenas uns poucos.

Quando foram desalojados do Paraíso, Adão e Eva mudaram-se para a África, não para Paris.

Algum tempo depois, quando seus filhos já se haviam lançado pelos caminhos do mundo, foi inventada a escrita. No Iraque, não no Texas.

Também a álgebra foi inventada no Iraque. Foi fundada por Mohamed al Jwarizmi, há mil e duzentos anos, e as palavras algoritmo e algarismo derivam do seu nome.

Os nomes costumam não coincidir com o que nomeiam. No British Museum, por exemplo, as esculturas do Partenon chamam-se "mármores de Elgin", mas são mármores de Fídias. Elgin era o nome do inglês que as vendeu ao museu.

As três novidades que tornaram possível o Renascimento europeu, a bússola, a pólvora e a imprensa, haviam sido inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.

Os hindus souberam antes de todos que a Terra era redonda e os maias haviam criado o calendário mais exato de todos os tempos.

Em 1493, o Vaticano presenteou a América à Espanha e obsequiou a África negra a Portugal, "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Naquele tempo a América tinha quinze vezes mais habitantes que a Espanha e a África negra cem vezes mais que Portugal. Tal como havia mandado o Papa, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.

Tenochtitlán, o centro do império azteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade pedra por pedra e, com os escombros, tapou os canais por onde navegavam duzentas mil canoas. Esta foi a primeira guerra da água na América. Agora Tenochtitlán chama-se México DF. Por onde corria a água, agora correm os automóveis.

O monumento mais alto da Argentina foi erguido em homenagem ao general Roca, que no século XIX exterminou os índios da Patagônia. A avenida mais longa do Uruguai tem o nome do general Rivera, que no século XIX exterminou os últimos índios charruas.

John Locke, o filósofo da liberdade, era acionista da Royal Africa Company, que comprava e vendia escravos.

No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos Bourbons, Felipe V, estreou o seu trono assinando um contrato com o seu primo, o rei da França, para que a Compagnie de Guinée vendesse negros na América. Cada monarca ficava com 25 por cento dos lucros. Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.

Dois do Pais Fundadores dos Estados Unidos desvaneceram-se na névoa da história oficial. Ninguém se recorda de Robert Carter nem de Gouverner Morris. A amnésia recompensou os seus atos. Carter foi a única personalidade eminente da independência que libertou seus escravos. Morris, redator da Constituição, opôs-se à cláusula estabelecendo que um escravo equivalia às três quintas partes de uma pessoa.

"O nascimento de uma nação", a primeira super-produção de Hollywood, foi estreado em 1915, na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, aplaudiu-a de pé. Ele era o autor dos textos do filme, um hino racista de louvação à Klu Klux Klan.

Algumas datas: Desde o ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu que as mulheres cantassem nos templos. As suas vozes eram impuras, devido àquele caso da Eva e do pecado original.

No ano de 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios vis", que até então implicavam a perda da fidalguia. Até o ano de 1986 foi legal o castigo das crianças, nas escolas da Inglaterra, com correias, varas e porretes.

Em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, em 1793 a Revolução Francesa proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A militante revolucionária Olympia de Gouges propôe então a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. A guilhotina cortou-lhe a cabeça. Meio século depois, outros governo revolucionário, durante a Primeira Comuna de Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos um: 899 votos contra, um, a favor.

A imperatriz cristã Teodora nunca disse ser uma revolucionária, nem nada que se parecesse. Mas há mil e quinhentos anos o império bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar do mundo onde o aborto e o divórcio foram direitos das mulheres.

O general Ulisses Grant , vencedor da guerra do Norte industrial contra o Sul escravocrata, foi a seguir presidente dos Estados Unidos. Em 1875, respondendo às pressões britânicas, respondeu:
– Dentro de duzentos anos, quando tivermos obtido do protecionismo tudo o que ele nos pode proporcionar, também nós adotaremos a liberdade de comércio.
Assim, pois, nos idos de 2075, o país mais protecionista do mundo adotará a liberdade de comércio.

"Botinzito" foi o primeiro cão pequinês que chegou à Europa. Viajou para Londres em 1860. Os ingleses batizaram-no assim porque era parte do botim extorquido à China no fim das longas guerras do ópio.

Vitória, a rainha narcotraficante, havia imposto o ópio a tiros de canhão. A China foi convertida num país de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.

Em nome da liberdade, a liberdade de comércio, o Paraguai foi aniquilado em 1870. Ao cabo de uma guerra de cinco anos, este país, o único das Américas que não devia um centavo a ninguém, inaugurou a sua dívida externa. Às suas ruínas fumegantes chegou, vindo de Londres, o primeiro empréstimo. Foi destinado a pagar uma enorme indenização ao Brasil, Argentina e Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos, pelo trabalho que haviam tido ao assassiná-lo.

O Haiti também pagou uma enorme indenização. Desde que, em 1804, conquistou a sua independência, a nova nação arrasada teve que pagar à França uma fortuna, durante um século e meio, para expiar o pecado da sua liberdade.

As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, a Suprema Corte de Justiça estendeu o direitos humanos às corporações privadas, e assim continua a ser. Poucos anos depois, em defesa dos direitos humanos das suas empresas, os Estados Unidos invadiram dez países, em diversos mares do mundo.

Mark Twain, dirigente da Liga Anti-imperialista, propôs então uma nova bandeira, com caveirinhas em lugar de estrelas. E outro escritor, Ambroce Bierce, confirmou:

– A guerra é o caminho escolhido por Deus para nos ensinar geografia.

Os campos de concentração nasceram na África. Os ingleses iniciaram o experimento, e os alemães desenvolveram-no. Depois disso Hermann Göring aplicou na Alemanha o modelo que o seu pai havia ensaiado, em 1904, na Namíbia. Os professores de Joseph Mengele haviam estudado, no campo de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. As cobaias eram todas negras.

Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizadas por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou a partida.

A Hitler não lhe faltaram amigos. A Rockefeller Foundation financiou pesquisas raciais e racistas da medicina nazi. A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possível a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados.

[...]

Artigo pescado do Diário Gauche - blog de Critóvão Feil

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

V Fliporto.


Pousada na praia de Porto de Galinhas.

Começa amanhã a V Fliporto, na praia de Porto de Galinhas. Ela vai de 05 a 08 de novembro, mas só estarei lá até o dia 07. 


Trata-se de uma Festa Literária, que reune autores renomados do Brasil e de outros países. 


Este ano o tema é "Literatura Ibero-Americana", e o homenageado, é o poeta pernambucano, João Cabral de Melo Neto.


A começar pela escolha do lugar, o evento mais uma vez tem tudo para dar certo. Aprimorada pela experiência da sua realização em anos anteriores, promete ser um grande sucesso esse ano. 


Imagino que há quem compareça particularmente motivado pelo lugar. É o caso de engenheiros de todas as áreas, principalmente se como é o meu caso, ele tem a sorte de morar a apenas 53 km desse epicentro. 


Torna-se imperdível! Não?


Para conhecer sobre a  V Fliporto clique no título acima ("V Fliporto").

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Visitas às Vinícolas Vinibrasil e Garziera.




Entrada da Rio Sol, Vinícola Vinibrasil.





 Entrada da Fazenda Garibaldina da Vinícola Garziera.




As Vinícolas Vinibrasil e Garziera, são localizadas no município de Lagoa Grande, estado de Pernambuco. A distância entre elas é de 8 km. Saindo de Petrolina, viajamos na direção oposta a que nos levaria a Vinícola Miolo (ver a postagem de ontem). A distância de Petrolina a primeira dessas duas vinícolas, a Vinibrasil, é de 70 km.


Em cada uma delas foi possível conhecer alguns aspectos não observados na visita à Miolo.


Assim, na Vinibrasil foi possível conhecer as vantagens dos vinhedos em espaldeira, com relação ao tradicional tipo latada. No chamado viveiro, onde as uvas aprovadas passam por enxertos, o processo foi explicado em detalhes. 


Quanto aos vinhos, o seu "top de linha" é o Paralelo 8 Reserve, um tinto seco de excelente qualidade. Há um vinho tinto seco chamado Brasilio, que é fabricado totalmente para exportação. As poucas garrafas que não são exportadas, são vendidas atualmente, apenas na própria vinícola. Claro que comprei uma, sabendo que não poderia encontrar vizinho lá de casa.


A Garziera, embora também elabore vinhos finos, dedica-se em grande parte a produção de uvas de mesa para sucos, e até engarrafa um vinho tinto feito a partir de uvas de mesa em lugar de uvas finas, chamado Sertão. A sua área plantada só tem uvas híbridas. As uvas finas com as quais faz os vinhos de mesa, são compradas a terceiros.


Havendo mais vinícolas para visitar, seria provável a partir de agora, cair em repetições.


Recomendo a quem tiver interesse, vir até aqui para sentir de perto o quanto essa região do Vale do São Francisco tem se desenvolvido, e o quanto tem sido fundamental para isso, a água irrigada do rio São Francisco, carinhosamente chamado de  o "Velho Chico". 




Para ver as fotos das visitas:


Fotos Vinícola Miolo:             http://www.facebook.com/album.php?aid=7277&id=100000032140897&l=19f9ea05be


Fotos Vinícola Vinibrasil:    http://www.facebook.com/album.php?aid=7278&id=100000032140897&l=0f271517ae


Fotos Vinícola Garziera:       http://www.facebook.com/album.php?aid=7279&id=100000032140897&l=654b3ede7e







O que seria do nordeste, sem o "O Velho Chico".


Um rio sobretudo muito rico em quilowatts.   :-)))


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

VI Vinhuva - Edição 2009.




Antecipei-me ao iníco da VI Vinhuva  que acontecerá em Lagoa Grande de 08 até 12 de outubro. Cheguei três dias antes dos outros 2000 participantes da Festa. Lagoa Grande está localizada a uns 70 km de Petrolina, no alto sertão de Pernambuco. Eu fiz assim, à semelhança de quem para evitar os engarrafamentos no trânsito, evita transitar nos horários mais congestionados.

A festa mistura a devoção aos vinhos com a animação profana da "Calcinha Preta". Aquela banda do "Você não vale nada, mas eu gosto de você". A propósito, jamais alguém poderia dizer isso, referindo-se a um vinho. Vinho ruim, é vinho que por algum motivo estragou-se, tornando-se "impalatável". Todo vinho é feito para ser saboreado, e vinho bom é portanto aquele que você gosta. Você só não gostará se ele estiver  estragado, mas sendo assim ele terá deixado de ser vinho.

Os produtores perseguem obstinadamente a excelência dos  processos de elaboração dos seus vinhos. Técnicamente falando, há vinhos superiores. De acordo com especialistas porém, nem sempre o melhor vinho é o vinho mais caro.

Hoje foi o dia de conhecer a vinícola da Miolo no sertão nordestino. Uma das seis vinícolas da região. Vinhos de excelente qualidade são alí produzidos.

Para as ocasiões em que você desejar um espumante de excepcional qualidade, fica a sugestão do Espumante Moscatel da Miolo elaborado na fazenda Ouro Verde em Casa Nova, Bahia. Medalha de ouro na Itália, concorrendo com os melhores vinhos do mundo, inclusive com os do tipo Asti italianos.

O Brandy Osborne também é elaborado aqui, pelo mesmo método que é utilizado na Espanha, para onde é vendido em grandes quantidades. A qualidade é excelente!

Por fim, ainda que possa ser considerado meio sacrílego por alguns, você pode misturar em uma mesma taça o Espumante Moscatel com um pouco de Brandy Osborne, e certamente não se arrependerá. Caso não exagere! É claro.

Experimente também o vinho tinto seco da linha Terra Nova da Miolo, feito com as uvas Cabernet Sauvignon e Shiraz.

Sim! E beba ainda o vinho de sobremesa "Late Harvest" com muito cuidado para não passar do seu limite. O vinho é delicioso, e termina por esconder o seu verdadeiro teor alcoólico.

"Vinho é bom, e eu gosto".
(José Jucá Júnior)

Obs: Clicando no Título acima, você terá acesso às fotos da visita.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Vinho e o Bispo de Mainz (Alemanha)

Marcelo Copello, recentemente escolhido o melhor jornalista de vinhos do Brasil, é autor do excelente livro Vinhos & Algo Mais. No capítulo Vinho & Religião, ele transcreve o relato do filósofo alemão Goethe, de um sermão do bispo de Mainz (alemanha), que merece ampla divulgação:

"Que aquele que ao terceiro cálice sente turvar-se a razão, se fique pelos dois cálices, se não quer ofender a Deus e ser desprezado pelo próximo; mas aquele que depois de ter bebido cinco ou seis cálices, fica em estado de fazer o seu trabalho e obedecer as ordens dos seus superiores eclesiásticos e seculares, que esse absorva humildemente e com reconhecimento a parte que Deus lhe permitiu tomar. Que cuide bem, todavia, de não passar o limite de seis medidas, pois é raro que a bondade infinita do senhor conceda a um dos seus filhos o favor que em boa hora concedeu a mim, seu servo indigno. Bebo oito cálices de vinho por dia e nenhum de vós poderá dizer que alguma vez me viu entregue a injusta cólera, injuriar meus pais ou meus conhecidos ... Que cada um de vós meus irmãos, fortifique, pois, o corpo e rejubile o espírito com a quantidade de vinho que a bondade divina lhe permitiu absorver." Amém.

Lembrarei deste sermão durante a sexta edição da Feira da Uva e do Vinho do Nordeste (Vinhuva Fest 2009), que começará na próxima semana no Vale do Rio São Francisco.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sobre Irineu Evangelista.


O Barão de Mauá, depois Visconde de Mauá, ainda é um tanto quanto desconhecido dos brasileiros nos dias atuais.

Nascido Irineu Evangelista de Souza, enfrentou dificuldades extremas para alcançar os seus objetivos, ainda que os realizasse sob a aprovação e admiração geral, sem que nada contra sí jamais pudesse ser imputado de modo a desonrá-lo.

De origem humilde, partiu do nada e, uma só das suas muitas realizações bastaria para consolidar alguém como um extraordinário empreendedor. Tornou-se à sua época, um dos dez homens mais ricos do mundo ao desempenhar o seu papel na modernização do Brasil imperial.

Ele ia da relação fraterna com os humildes à intimidade com os poderosos do império e das finanças internacionais. Desfrutava do apreço público pelas suas inegáveis qualidades pessoais. Diz-se dele que mais do que um empresário foi um estadista "que realizava a sua utopia transformadora através dos negócios".

Alvo da inveja, terminou vítima de sabotagens por parte de aliados do Imperador, e até mesmo de perseguições do próprio D. Pedro II. Levado ao declínio, sua extraordinária vitalidade e força interior, o levaram a reiniciar o soerguimento com a idade de 60 anos.

Inteligência, coragem, determinação, paciência, perseverança, persistência, habilidade nos relacionamentos interpessoais, foram sem dúvida parte integrante do seu admirável legado.

Para que se lhe faça justiça, um dia ele precisaria ser reconhecido como o maior empresário brasileiro de que se tem notícia.

Com todo respeito aos que pensam o contrário, considero que Luiz Inácio da Silva, depois Lula, é o Barão de Mauá da nossa política.

Notícias de hoje, 23 de setembro de 2009:


Pesquisa // Aprovação a Lula é de 81%

Brasília - A avaliação positiva ao governo Lula subiu em setembro, atingindo 69%, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope, divulgada ontem. No levantamento de junho, o índice de ótimo/bom para o governo Lula era de 68%. A oscilação ocorreu dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos porcentuais. A avaliação regular ao governo Lula caiu de 24% para 22%, na mesma base de comparação, enquanto o índice de ruim/péssimo subiu de 8% para 9%. A aprovação pessoal ao presidente Lula subiu de 80% para 81%, mas a desaprovação também subiu, passando de 16% para 17%, entre junho e setembro. A pesquisa CNI/Ibope foi realizada no período de 11 a 14 de setembro e ouviu 2.002 pessoas, em 142 municípios.

Lula é o político mais popular do mundo, diz revista americana
Do UOL Notícias
Em São Paulo.

Um dia depois de a aprovação a seu governo alcançar 69%, de acordo com uma pesquisa do instituto Ibope, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi chamado pela revista americana Newsweek de "o político mais popular do mundo".

A publicação afirmou também que o brasileiro é a maior estrela da 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada nesta quarta-feira (23) em Nova York."As câmeras podem focar na personificação do americano descolado, Barack Obama, ou nos autocratas exibicionistas e despeitados como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad e o venezuelano Hugo Chávez, mas a maior estrela disponível será o duro, barbado e ex-torneiro mecânico", diz o texto.

"É um longo caminho do faminto Nordeste do Brasil para a sala da Assembleia Geral das Nações Unidas, mas o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, conhece cada passo desse caminho", afirma a Newsweek, completando que o presidente "é considerado agora o líder de uma potência regional e um porta-voz autodesignado para as nações emergentes de todo o mundo".

Sobre os quase 70% de aprovação do governo Lula, a Newsweek escreve que "essa seria uma característica marcante em qualquer lugar, ainda mais em um continente onde os presidentes são uma commodity descartável". Em entrevista à revista, o presidente brasileiro diz que os resultados da economia e a recuperação da autoestima do país ajudam a explicar os motivos de sua alta popularidade.

(Clicando no título acima ("Sobre Irineu Evangelista"), você terá acesso à íntegra da matéria da Newsweek)

sábado, 19 de setembro de 2009

Estado Brasileiro e a Petrobras Reforçam seu Controle sobre a Produção de Petróleo.

Ter petróleo não garantiu benefícios a população pobre de vários países. Nesses países, o controle sobre as suas próprias riquezas, foi para a mão das grandes irmãs, empresas gigantes multinacionais do petróleo. O controle estatal, abre a perspectiva de que por aqui isso seja diferente. Embora as forças políticas contrárias alinhadas aos grandes interêsses internacionais já tenham começado a se contrapor, encontram-se em posição desconfortável. Em ano pré-eleitoral, terão que explicar para a grande maioria dos brasileiros que tem a Petrobras como empresa símbolo, orgulho nacional, a sua pretensão de vendê-la. Para ler sobre o que diz o Le Monde, clicar no título acima.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Como "Endireitar" um Esquerdista. (Por Frei Beto)

Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar-se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social.


Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros.

Ser esquerdista – patologia diagnosticada por Lênin como “doença infantil do comunismo” – é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele. O esquerdista é um fundamentalista em causa própria. Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças...

O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua curriola. Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!

Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal.

Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários.

Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada – a que age como tal , mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas.

Se um companheiro dos velhos tempos o pr ocura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do “chato”. Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes. Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência.

Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu...).

Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa “gente da periferia”. E pontificou: “Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo”.

Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguês, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos. Apenas respondi: “Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles”.

Fonte: Artigo atribuido ao Frei Beto, recebido por e-mail.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Ler é Mais Importante do que Estudar" (por Ziraldo).


É possível que eu vá ser repetitivo, mas vamos lá. Já devo ter dito aqui a frase que repito pelo país: ler é mais importante do que estudar. Olha ai: a gente tem que ter muito cuidado com o que diz quando diz uma coisa que pode ser ouvida por muita gente. Há quase trinta anos que tenho andado por este país – que nem o velho Luiz Gonzaga – falando para professores e crianças nas salas de aula e nos auditórios de escolas públicas e privadas. Desde 1980, quando o "Menino Maluquinho" apareceu.

Tenho deitado a maior falação sobre os problemas do ensino fundamental no Brasil. Aí, uma professora vem e me escreve: “Você precisa ter cuidado com o que diz quando diz uma coisa que pode ser ouvida por muita gente”. E continuou: “Por exemplo, você me diz que ler é mais importante do que estudar. Como é que eu faço? Se eles ficarem parados no tempo, a culpa vai ser sua”.

A minha frase, professora, é uma frase de efeito. Foi feita para despertar as pessoas para a questão da leitura no ensino básico, uma frase feita para inquietar, mesmo. Com um detalhe: ela não precisa explicação, meu Deus! Como é que um menino pode estudar se ele não sabe ler, não é capaz de entender um texto, não consegue se expressar escrevendo? É o impasse filosófico do ovo e da galinha: qual dos dois é mais importante? Parece-me que a resposta é óbvia, não?

Estou voltando a falar sobre as questões do ensino porque me parece que, no meio de tantas notícias graves, uma permanece me deixando muito preocupado. Só pode parecer menos grave porque está longe da idéia imediata de morte. Sua gravidade, contudo, é intensa para o país: nossas crianças não sabem ler. Aliás, ninguém sabe ler nesse país!

sábado, 12 de setembro de 2009

Marolinha? Ou Water Park?


12 de setembro de 2009 - sábado.

Manchetes da primeira página do Jornal
Diário de Pernambuco:


UM NOVO TEMPO

Sinais positivos. Nos sorrisos do presidente Lula e do governador Eduardo Campos. No gesto de orgulho dos trabalhadores levantando seus capacetes. Sinais do tempo. De um novo tempo que deixa a recente crise e os conceitos antigos para trás. Em Pernambuco o presidente se deparou com o resultado do processo de desoncentração econômica do país. Ontem o estado confirmou um crescimento de 5,9% no PIB, superior ao nacional que foi de 1,9%. Em suape, Lula deu início à construção do primeiro petroleiro do Estaleiro Atlântico Sul e anunciou a encomenda de mais 7 navios além dos 15 já previstos. Hoje são 9 000 pessoas trabalhando no empreendimento que é o símbolo do renascimento da indústria naval brasileira e do renascimento econômico de Pernambuco. Uma prova de que o nordeste deixou de ser um problema para o país para se tornar parte da solução.

Eduardo foi um achado de Deus, define o
Presidente Lula

Na 5ª visita ao estado em 2009, Lula citou Eduardo Campos como o perfil do político "arejado" e ressaltou que esta postura do governador do estado é decisiva à consolidação e expensão dos empreendimentos em Suape.

PIB de Pernambuco cresce em ritmo superior
ao da China

Enquanto Lula comemorou o crescimento de 1,9% do PIB nacional no segundo trimestre do ano, o de Pernambuco cresceu 5,9% no mesmo período. Destaque para três setores: agropecuária (9,2%), indústria (5,1%) e serviços (6,1%).

Com mais sete navios, estaleiro abrirá
2 mil vagas de emprego

O Atlântico Sul tem hoje 9000 trabalhadores, sendo 6000 na construção e 3 mil na operação. Mas a partir de agora, a tendência é de aumento de contingente na área operacional. Mais 2 mil vagas serão abertas até 20010.

Bunge vai aumentar produção e
postos de trabalho em 33%

A gigante holandesa produtora de trigo anunciou ontem que vai ampliar a produção de 1,9 mil para 2,6 mil toneladas de farinha por dia. Hoje a fábrida de Suape gera 200 empregos diretos e mil indiretos.

Nelsinho é homossexual?

Semenya é hermafrodita?

Paulinho pode ser a solução?
(tem a ver com outro assunto - Sport X Flamengo, hoje no Maracanã)

Bom! Tirando essas três últimas "chamadas", haveríamos de pensar se já não soubessemos, que poderia tratar-se de uma brincadeira de 1º de abril.

Acontece que diante dos fatos, termina impossível continuar a esconder o sol com uma peneira.

Convenhamos, Lula errou.

Marolinha era referindo-se apenas ao país como um todo.

Em Pernambuco, a crise foi brincadeira de Water Park.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pré-Sal.

Ato de Apresentação da Proposta do Marco Regulatório do Pré-Sal.

No Editorial 1 da Revista Carta Capital de hoje, 09 de setembro de 2009, o seu autor Mino Carta faz uma curiosa observação, em torno do debate sobre o destino do pré-sal.

Básicamente, ele transcreve um memorável Editorial do Jornal O Estado de São Paulo, publicado faz 56 anos, o qual permanece atual. Ele mostra que as forças que àquela época se opuseram a visão nacionalista relativa a exploração do nosso petróleo, continuam a defender as mesmas opiniões.

Até aí, "tudo muito bom, tudo muito bem", o regime já não era ditatorial em 1953, ano da publicação do referido edital pois Getúlio havia sido eleito, e não o é hoje depois que ultrapassamos os tempos da ditadura militar. Como diria Millôr Fernandes, "Pensar é livre pensar, é só pensar".

A questão é que o "Estadão" estava redondamente errado ao opor-se, naquela ocasião, ao aproveitamento "das nossas prováveis riquezas petrolíferas, a custa de capital, técnicas e trabalho exclusivamente brasileiros".

Chegou a afirmar que isso redundaria no desperdício de muito dinheiro e de tempo irrecuperável, e o que vimos acontecer, foi exatamente o contrário.

Getúlio convocou o congresso a aprovar a lei de criação da Petrobrás, e foi desencadeada a campanha "O petróleo é nosso", tendo a Petrobras se tornado uma Empresa Estatal orgulho nacional, situada hoje entre as maiores empresas de petróleo de todo o mundo.

Todo um histórico de lutas pela autonomia de petróleo do país, foi finalmente alcançada durante o atual governo. Apesar de que um enorme retrocesso aconteceu durante o governo Fernando Henrique Cardoso, quando em um só dia, ele vendeu 40% da Petrobras aos americanos. Por isso é que hoje, a Empresa tem 67% das suas ações preferenciais nas mãos de estrangeiros.

Devido aos enormes interesses econômicos em torno da exploração do nosso petróleo, e as posições extremamente conciliadoras do presidente Lula, o físico Bautista Vidal que defende o controle estatal, declarou em entrevista à Carta Capital, desconfiar de que não prevaleceriam as suas idéias para a exploração do pré-sal.

Enganou-se.

O presidente Lula "nisto não cedeu, segurou as pontas", reconheceu ele.

Afirma ainda o Dr Bautista Vidal, que "Lula repetiu Getúlio em condições diferentes e melhores".

A luta está apenas começando, e sabemos que a mídia está unida aos partidos que fazem oposição ao governo, para que a festa do pré-sal seja transferida para o Texas.

Para assessorá-los na CPI da Petrobras, cujo principal objetivo é enfraquecer a Empresa com vistas a facilitar a sua privatização, os políticos do DEM (ex-PFL), PSDB, e seus aliados, contrataram os serviços de consultores americanos que trabalham para as grandes companhias petrolíferas internacionais, portanto contra os interêsses do Brasil.


Os dias atuais, entretanto, nos permite o uso de mecanismos inexistentes à época de Getúlio - entenda-se por isso todos aqueles proporcionados pela Internet - os quais poderão ser usados no aprofundamento dessa discussão, para que seja adotada a melhor solução para o país.

O presidente Lula em frase recente, ao ironizar os Tucanos que no governo FHC, batizaram a estatal de "Último Dinossauro", para privatizá-la, afirmou:
"Meu governo deu força à Petrobrás. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro."

Cabe agora à sociedade, engajar-se nas discussões, porque o que está em jogo, é a utilização da riqueza nacional em benefício do tão sonhado desenvolvimento nacional, com a aplicação desses recursos sobretudo na educação, e na saúde.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Proposta Para Criar o Estado do Cariri.

Geopark Araripe
Situado na Bacia do Araripe - Sitio do Período Cretáceo da Terra.

O Jornal Diário de Pernambuco de domingo, 06 de setembro de 2009, trás a seguinte matéria do escritor Jota Alcides:

O sonho do ex-senador cerense Martiniano de Alencar de transformar a região do Cariri em um novo estado brasileiro volta a ser debatido, agora com mais justificativas econômicas e sociais. Após 170 anos, da apresentação do projeto no senado do império, o escritor e jornalista Jota Alcides, iniciou um movimento para viabilizar a ideia cuja referência política seria o município do Juzaeiro do norte, a Terra do Padre Cícero. "O estado do cariri é a solução política inadiável para salvar o belo e naturalmente rico Vale do Cariri, sempre desconsiderado e maltratado pelos governos do Ceará, sobretudo pelo atuall (Cid Gomes). Não há o que temer. É melhor ser um estado pequeno e pobre mas, livre e independente, verdadeiro dono do seu destino", afirma Alcides.
O autor da proposta lembra que nos últimos dez meses, "cresce a insatisfação e a revolta da população de Juazeiro do Norte, contra a indiferênça, a negligência, a omissão, a discriminação e até conspiração por sucessivos governos cearenses, por mais de um século, até os dias atuais". A proposta irá contribuir para evitar o aumento da concentração de riquezas na capital Fortaleza, que tem um Produto Interno Bruto (PIB) estadual de R$ 22,5 bilhões, quase 50% do PIB estadual de R$ 46 bilhões.
"É visível a grande concentração de riqueza na capital. Fora da Região Metropolitana de Fortaleza, as duas maiores economias cearenses estão nos minicípios de Sobral, com PIB de R$ 1,5 bilhão, e Juazeiro do Norte , com PIB de R$ 1,1 bilhão. São dados que revelam, claramente, o tratamento diferenciado do governo do Ceará favorável ao norte do estado. Maior cidade do interior, aproximando-se dos 300 mil habitantes, Juazeiro do Norte não tem sido privilegiado com investimentos do estado. Pelo contrário, tem sido discriminado e esquecido. E quando o governo prejudica Juazeiro, acaba prejudicando o Cariri". ressalta.
Ao justificar a sua iniciativa, Alcides lembra que o desenvolvimento de Juazeiro hoje - maior centro comercial e industrial do interior do Ceará -, deve-se a sua grande força de atração de investimentos privados nacionais e estrangeiros. " Como Metrópole do Cariri, a cidade exerce influência sobre 2,5 milhões de habitantes da região e de municipios vizinhos da paraíba, Pernambuco e Piauí. É um importante centro de atação turística do Nordeste recebendo milhares de visitantes todos os anos e hoje o maior centro urbano, demográfico, social, político, econômico, cultural, universitário, artístico e desportivo do Nordeste central do Brasil", completa.
Juazeiro do Norte é hoje o terceiro maior polo da indústria calçadista do Brasil e o principal do Norte e Nordeste. É ainda o terceiro maior polo de produtos folheados em ouro do país. Para Alcides a economia do Juazeiro poderia se mais desenvolvido hoje, "se não sofresse o desprezo dos governos do ceará, sobretudo o atual, que faz altos investimentos no Norte do estado (cerca de R$ 300 milhões) sem dar a devida e merecida atenção ao sul, ao Cariri, cujos investimentos não chegam a R$ 100 milhões".
Ele sustenta que Juazeiro tem "crescido por suas próprias forças, pelo empreendedorismo do seu povo, e convoca seus conterrâneos a defenderem proposta que terá que ser apresentada ao Congresso Nacional. "Só resta aos Caririenses assumirem com ousadia e determinação o seu próprio destino lutando pela criação do estado do Cariri, conclui.

Fonte: Diário de Pernambuco de 06 de setembro de 2009.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Agora, Sim!


Quando Marina Silva anunciou que poderia deixar o PT, junto com a notícia surgiram as primeiras especulações de que ela seria a candidata do PV à presidência da República em 2010.

Lula uma vez afirmou que o Brasil estava muito bem, quanto a qualidade dos eventuais candidatos à presidência.

Eu diria que agora sim, o desenrolar dos acontecimentos foi de modo a melhor justificar aquela afirmação, com a qual a princípio não pude concordar em 100 %.

A saída de Marina Silva do PT, está prevista para acontecer daqui a pouco (clicar no título acima).

Para manter-se fiel a sua extraordinária biografia, Marina Silva enquanto ministra, perdeu apoios mas manteve o prestígio.

Em nosso meio político atual, ser pragmático, herança do neo-liberalismo, se contrapõe com grande vantagem, aos ideais abstratos, que são denominados de "idealistas", e contrários ao desenvolvimento econômico ainda que às custas da devastação ambiental.

A ex-ministra Marina Silva, foi vítima do pragmatismo da ministra Dilma Roussef. Não foi a única. Em muitas empresas estatais a postura desenvolvimentista do Governo, fez rolar muitas cabeças em seus departamentos de meio ambiente, "para adequá-los" a pressa do governo em tocar os seus programas.

Entretanto, assim como aconteceu com a ex-ministra Marina Silva, foram-se as cabeças mas ficou o juízo.

Não demorará, principalmente se ela crescer nas intenções de voto, a que ela venha a sofrer pesados ataques por parte da mídia, que prefere a defesa dos interesses econômicos em detrimento da preservação ambiental.

Dirão que ela não tem visão científica dos fatos, a acusarão de concordar com as idéias de visionários como fritjof Kapra, a chamarão de lunática, e por fim dirão como disseram com Lula e com Obama:

"Ela não está preparada."

Digam o que disserem concordo com a opinião do sociólogo, que falou:

"A candidatura de Marina Silva, surge como um raio de luz."


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sobre Andar de Moto Depois dos Cem Anos.

Como Nos Novos Tempos.

Ontem visitei alguém que pelo que eu sei, é a mais longeva da minha família.
Ela completará no próximo dia 28 de agosto, 100 anos e 5 meses.

Ao nos receber, fui logo perguntando:
- Como vai você?
E ela respondeu alegre, e com firmeza:
- Viva.

Até pouco tempo não era incomum encontrá-la em lugares públicos, passeando ao lado da filha.
Ainda hoje aceita convites para festividades, as quais costuma comparecer animadamente.

Por isso chamou minha atenção a notícia sobre a bisavó Galeza de 102 anos (clicar no título acima), e resolví postá-la.

Sobre o assunto, você também poderá visitar o site: http://www.betterhealthandliving.com/articles/secrets_of_the_worlds_oldest_people/ .

De qualquer forma, os longevos que conheço, não fizeram questão da longevidade. Não são abstêmios de comer carne como eu sou, nem se exercitam regularmente como faço. O que tenho em comum com eles, é achar que só vale a pena viver muito, se for para viver com qualidade - sob todos os aspectos.

O aumento da nossa expectativa de vida já se tornou notório, e não é mais um privilégio apenas dos que vivem nas longíncuas regiões isoladas de países orientais.
E não faz tanto tempo que em romances tais como os de Somerset Maugham, eram comuns as referências a um velho de 40 anos!

Faz sete anos que viajei à cidade de Fortaleza, localizada na ensolarada região nordeste do Brasil, onde almocei na casa de uma tia, cujo aniversário de 90 anos será logo mais em outubro. Naquela ocasião, aos 83 anos, lembro de quando ela comentou, alegremente:

- Só tem uma coisa que peço sempre a Deus: Não deixe nunca eu ficar velha.

Pois bem, passaram-se 7 anos, e ela ainda não ficou.

Por tudo isso é que fico pensando, o quanto hoje já não causaria espanto, ouvir as coisas que eu inventava, sobre os idosos da minha própria casa.

Faz uns 20 ou 25 anos, que quando alguém ao telefone me perguntava pela nossa querida Maria, então acima dos 90 anos, eu dizia:

- No momento ela subiu no coqueiro para tirar uns côcos.
Ou ainda,

- Saiu na minha moto, mas não deve demorar a voltar.

Hoje eu me pergunto: Que espanto isso causaria nos dias de hoje?

Esse é o tipo da brincadeira que já ficou sem graça!

Afinal, por que não?

O Sexto Sentido.

Uma Volta ao Mundo, Dançando!